
PALESTRA
COMEMORATIVA DO 25º ANIVERSÁRIO DO ROTARY CLUBE DE CASTELO BRANCO
Rotary
é uma organização de profissionais e homens de negócios que se juntam para
servir.
A chave de entrada para Rotary é o negócio ou a profissão de cada um - mas
sem servir não se pode ser um verdadeiro Rotário.
Esta é a ideia geral, a ideia que enforma Rotary Internacional.
Esta definição de Rotary é a mesma no Japão ou em Marrocos - e o serviço
como objectivo é uma exigência universal em Rotary.
Cada clube rotário é um conjunto de profissionais que irá servir na área
geográfica da sua implantação, e de acordo com as oportunidades locais.
O Clube é, deste modo, a concretização - no espaço e no tempo - da ideia
universl de Rotary. Logo, cada Clube é sempre original
- diferente,
pois, de qualquer outro.
Esta é, caros Companheiros, uma realidade que me é particularmente agradável:
que cada Clube, cumprindo as mesmos princípios universais de Rotary e
prosseguindo os mesmos valores, possa ser ele próprio original, mantendo uma
autonomia criativa.
Será a dedicação e serviço de cada Companheiro que tornarão cada Clube
interessado, interveniente e
transformador da comunidade em que está implantado.
Cada Clube será, assim,
uma diferente interpretação de Rotary.
Imaginemos uma pauta de música - uma harmonia. Interpretemo-la com diversos
instrumentos. Sendo a música a mesma, cada interpretação, devido à
diversidade de instrumentos, apresentará um sonido diferente.
É este o Rotary diferente de clube para clube.
Aqui reside em grande parte a base da diferenciação Rotária: que sendo os
princípios os mesmos, seja bastante diferente a sua execução. E é também
nesta diferença que está um dos grandes encantos de Rotary - e uma ,justificação
do enorme agrado, sempre que visitamos outros clubes: ver
neles a maneira como interpretam e vivem os nossos mesmos princípios.
E porquê esta diferença?
- porque diferem muito, de clube para clube, as características
dos seus elementos.
- e porque diferem,igualmente, de Clube para Clube, as circunstâncias
de lugar...
Cada
Clube representa um corte transversal da comunidade em que está implantado. No
nosso Clube temos representadas as actividades de: advogados, médicos,
agricultores, construtores civis, comerciantes, industriais, funcionários públicos,
bancários, professores.
Somos, na realidade, um aglomerado das mais diversas actividades - e
representamos, extensivamente, a nossa comunidade. Daí, a originalidade de cada
Clube - e o encanto próprio de cada um
deles - o que provoca sempre,
em cada Rotário, um gosto particular e
muito especial pelo seu Clube.
Diversos assim, e originais - todos reconhecemos que raramente os Clubes
funcionaram bem quanto ao aproveitamento do seu caudal de possibilidades. Sempre
os nossos
Clubes - como todo o Rotary - desperdiçaram aquilo que de mais importante e
mais significativo eles têm: um imenso
caudal de inteligência que não tem sido suficientemente posto ao serviço
da sociedade.
Se tantos elementos, tão válidos no exercício da sua profissão, tomassem a sério,
aqui no Rotary, a sua capacidade de intervenção - que transformações não
poderiam ser feitas na sociedade pela convergência de tais capacidades?
Consideremos um caso de sucesso:
Porque é que Rotary vai erradicar do mundo a Poliomielite? Só porque um dia
alguém, em Rotary, pensou que um grande projecto, a nível planetário, deveria
assinalar o nosso 1º centenário.
E que foi decidido?
Angariar 220 000 000 de dólares, comprar vacinas, aplicá-las nas mais
distintas paragens do planeta - e erradicar a polio. Foi decidido, está em
curso e será cumprida esta tarefa. Os 220 000 000 revelaram-se insuficientes -
e levamos hoje aplicados nesta operação mais de 400 000 000 - ou sejam 60 milhões
de contos.
Rotary será isto? É evidente que sim. Isso é Rotary: pensar nos outros,
melhorar o mundo, proteger o planeta terra, conquistar a paz...
Numa palavra: Rotary é, mais uma vez e sempre, servir.
O nossos Clube tem orgulho - e participámos desde o primeiro momento -
neste programa POLIO.
Mas entendemos que não deverá ser este um caminho que Rotary venha a adoptar
como processo normal de intervenção na sociedade.
Os mega-projectos terão os seus defensores - mas penso que, importantes embora,
eles não poderão ser regra de compromisso para os nossos clubes.
Tenho maior
simpatia pelos programas de índole local, em que todos mais possamos intervir, servindo
- do que por aqueles em que mais eficientemente possamos colaborar, dando
- porque Rotary é transformar o mundo, intervindo
na comunidade, servindo, dando
a cara, comprometendo-se - mais do que dispendendo
recursos.
Mais-Rotário não é o mais rico, generoso;
Mais-Rotário é quem mais serve, quem mais
participa, quem mais colabora no serviço
pelos outros.
Mas justifica-se plenamente este megaprojecto da Polio em que todos estamos
ainda empenhados: o 1º centenário de Rotary deve ficar assinalado por um programa que
elimine a poliomielite
do nosso planeta -
um flagelo que a muitos seres humanos tem privado da possibilidade de um
mínimo de qualidade de vida.
Mas - repito - não deverá ser este um caminho definitivo em Rotary. Preferimos
os pequenos projectos de intervenção na nossa comunidade, em que todos
possamos intervir, servindo.
Defendemos um Companheirismo de campanha - mais do que um Companheirismo de
recursos.
Será, quanto a mim, essa uma das vias por onde poderá ser aproveitada a
inteligência disponível em Rotary.
- AUTONOMIA DOS CLUBES PARA A SUA ORGANIZAÇÃO INTERNA E DESCOBERTA DAS
OPORTUNIDADES DE SERVIR;
- APROVEITAMENTO
DA INTELIGÊNCIA DISPONÍVEL NOS CLUBES PARA INTERVIR;
SERÃO,
POIS, 2 PILARES FUNDAMENTAIS PARA QUE SE CUMPRA O ROTARY QUE EU CONHEÇO E VIVO
HÁ 25 ANOS, E QUE NESTE CLUBE TIVE O PRAZER DE COMPARTILHAR COM TANTOS
COMPANHEIROS AQUI PRESENTES , E COM BASTANTES OUTROS, JÁ DESAPARECIDOS - E QUE
NESTE DIA FESTIVO VOU, APENAS, MENCIONAR:
- JOSE LOPES DIAS - nosso 1º presidente
- MANUEL SALAVISA - nosso 1º e infatigável secretário
- JOÃO CARLOS DA MOTA MENDANHA
- ANTÓNIO SANTOS AMARAL
- TRISTÃO
- CARLOS PIRES PRETO
- JACINTO
- RAFAEL NUNES
O
nosso Clube muito lhes deve, e quero, com esta evocação, prestar-lhes
sentida homenagem. O seu exemplo e a sua dedicação ao Clube matêm viva
a sua memória em nós, particularmente neste dia de aniversário.
Rotary - é a ideia universal de servir, de transformar o mundo, de conquistar e
proteger a paz;
Rotary é o convívio interessado de Companheiros de todo o mundo, levando e
administrando as miraculosas gotinhas da vacina que erradicará a poliomielite
da superfície da Terra ante do ano 2005, 1º centenário da nossa fundação;
Rotary é a busca constante de melhores condições de vida para os necessitados
da nossa região, ou das zonas mais carecidas, sejam elas a Turquia ou o Líbano,
a Nigéria, o Perú ou o Bangla Desh...
Rotary é a humana preocupação - e acção - pelo bem dos outros...
Rotary é a ideia universal de melhorar o mundo e fazer por isso a começar e a
partir da nossa comunidade...
Rotary é, também, esta agradável convivência, este encontro de amigos, esta
celebração da festa dos outros, sentida como se fosse de cada um de vós...
Rotary foram estes 25 anos a fazer amigos e a servir a comunidade...
Estivemos em França, estivemos em Marrocos, estivemos na Espanha;
fomos aos Açores;
visitámos os Clubes de Braga, Abrantes,
Covilhã, Reguengos de Monsaraz;
-
e fundámos o Clube de Portalegre.
Refiro, aqui, apenas algumas das acções empreendidas pelo nosso
Clube - não menciono as visitas particulares de Companheiros nossos a Clubes
nacionais e estrangeiros - e que tanta satisfação nos proporcionaram.
Houve, pois, uma
actividade marcante para todos nós,
nestes 25 anos - e agradeço ao Rotary Clube da Covilhã - nosso
Clube-Padrinho, o ter-se lembrado de nos comunicar a chama Rotária.
Recebida tal chama, já a transmitimos a Portalegre - e é com muito gosto que
observamos a actividade deste Clube nosso afilhado que está a intervir
activamente na sua comunidade.
Em resumo: estes 25 anos de Rotary cimentaram em nós a ideia de que Rotary se
concretiza e vive em cada clube, autónomo,
e original nos processos de servir;
- de que cada Rotário só se realiza, servindo;
- de que vale a pena ser Rotário...
Referi
as grandes ideias de Rotary;
Apresentei-vos o Rotary como o nosso Clube o tem interpretado e vivido.
Recordo
- e menciono apenas, porque não seria justo alongar-me - que a base de toda
esta actuação é a íntima convicção e prática, por cada um de nós,
da PROVA QUÁDRUPLA.
A validade das manifestações Rotárias só será consistente na medida em que
elas correspondam a um estado de espírito - a uma ética - profundamente ínsita
em cada Rotário.
A actuação de Rotary no mundo é consistente porque, mais do que resposta a
estímulos externos, a nossa actuação é sempre consequência da
preocupação pela descoberta de
oportunidades de servir. Esta é uma linguagem - e uma prática -
característica de Rotary.
Se inventariássemos os termos rotários que melhor definem a
acção de Rotary no mundo, à frente de todas as expressões teríamos
esta: a descoberta de oportunidades de
servir. É esta atitude perante o mundo que identifica o Rotário.
E não teria eu certamente compreendido nada de Rotary nestes 25 anos, se não
tivesse entendido o fundamento exigido por Rotary a cada um de nós: todo o serviço aos outros tem como condicionante o
cumprimenmto da prova quádrupla.
Não somos uma religião - como sabeis - antes as respeitamos todas; não
somos um partido político: mas vivemos harmoniosamente com todos. Mas temos
certos princípios, e cultivamos certas fidelidades,
que nalguns aspectos nos assemelham.
O Rotário serve
por
imperativo do nosso movimento;
O Rotário vive de acordo com um Código: a
prova quádrupla;
O Rotário tem uma obsessão: a descoberta de oportunidades de
serviço...
Constituimos, pois, um movimento bem organizado e bem estruturado.
Meus Companheiros, vindos alguns de tão longe,
- fui talvez um pouco presumido nesta interpretação do Rotary na celebração
dos nossos primeiros 25 anos...
...mas o gosto que continuo a sentir pelo nosso movimento - e a profunda dedicação
ao meu clube - desculpam-me o atrevimento, e encontrarão certamente da vossa
parte a benevolência da compreensão.
VALORES
FUNDAMENTAIS EM ROTARY
(Comunicação
ao Rotary Clube de C.Branco em 19.JAN.93 pelo Companheiro Virgílio Dias)
Toda
a minha vida em Rotary tem sido uma contínua interrogação: porquê estar em
Rotary? Para quê ser Rotário?
Valerá a pena continuar ?
E já, por várias vezes, aqui mesmo, aduzi as minhas razões...
Hoje não discuto mais comigo mesmo as
causas, nem as finalidades, da minha presença em Rotary - e sei que vale a pena
continuar Rotário. Mas, nem por isso me resignei a um silêncio interior. Tento
discutir motivos e inventariar valores. Fruto desta interna prescrutação,a
minha comunicação de hoje: Valores
fundamentais em Rotary.
Juntam-se em Chicago 3 homens: 1 Advogado, 1 alfaiate e 1 comerciante de carvão.
Isto em 1905, numa grande cidade americana. E têm um objectivo determinado e
abertamente confessado:fugir à solidão.
Constituiu-se um grupo de homens que se encontravam semanalmente, levavam amigos
- e, pela persistência, o encontro transforma-se em fonte de novas amizades. Um
cuidado importante a ter de início: que não se levassem ao grupo indivíduos
cuja actividade profissional pudesse colidir com os interesses de quem já lá
estava. Ontem, como hoje: a disputa do mercado, mesmo eticamente agressiva, não
pode opor 2 Rotários - porque não podem
coexistir no clube 2 profissionais que, activamente, se ocupem no mesmo segmento
de negócio. Isso teria a possibilidade de agredir o
primeiro e mais importante princípio Rotário: o Companhei -rismo. E
este princípio não pode, de modo nenhum, correr riscos entre nós.
Esta é a realidade histórica de Rotary: um grupo de homens que se forma por
convite e que se mantém pela amizade surgida entre Companheiros.
Nem é admissível o regular encontro entre
Rotários sem que neles surja a amizade...Também a inversa é verdadeira: se não
houver amizade entre os Companheiros, a frequência baixa e o Clube desfalece.
O papel fundamental do Conselho Director é preparar e tornar aliciantes as
nossas reuniões; falar pouco, mas deixar ordenadamente falar, a fim de
Um clube onde não haja frequência habitual superior a 50% é um Clube
inactivo. Se a frequência descer para a casa dos 30%, ficando o clube numa
situação de 8 a 10 Companheiros activos -
é porque deixou de haver Rotary, ficando substituido por um grupo
ocasional de amigos que apenas mudaram para o Clube a sede das suas reuniões
chalasseiras dos antigos cafés. Rotary não é nada que sequer se pareça com
isso. E o único processo de o evitar è a frequência às reuniões.
Como é que eu poderia criar amizade com quem
não vejo? Defrauda-me todo o
Companheiro que, injustificadamente, falta às nossas reuniões. Porque
a primeira e mais premente
obrigação Rotária é a FREQUÊNCIA. É um valor bem encontrado este: ele
representa o meu direito à presença dos Companheiros no nosso Clube; ele impõe-me
a obrigação de eu vir às reuniões para estar com eles...
Não oferece dúvidas, nem levanta qualquer diferença de opiniões: o
1º valor fundamental em Rotary é o Companheirismo - e a
única maneira de o viver é a Frequência às reuniões.
A vida humana é feita de uma infindável sucessão de atitudes, motivadas por
convicções, por princípios. Daí que atitudes claras, corajosas muitas vezes,
pressuponham princípios bem definidos, bem conhecidos, que motivem decisões.
O 1º
valor Rotário justificará o abandono de Rotary por aqueles que, vin-dos ao
nosso Clube, não assumam, na prática, o cumprimento do Com -panheirismo/Frequência;
- mas, na defesa do Clube, motivará também o Conselho Director ao cumprimento
das suas obrigações, impondo a exclusão a quem, pelo seu absentismo, agrida o primeiro
valor funda -mental.
Ninguém disse que Rotary é um clube de
homens bonzinhos. E não o é.Todos
sabemos que temos de ser um clube de homens eficientes.
Os princípios são para se cumprir. A tibieza, a indecisão, a procrastinação
são termos detestáveis do mundo
das empresas que, vividos no Rotary, produziriam nele - e têm produzido - os
mesmos efeitos nefastos que causam no mundo dos negócios.
Eu tenho direito a que só faça parte deste grupo quem nunca renunciar ao seu
primeiro valor fundamental: o Companheirismo; aceito, como minha primeira obrigação
Rotária, a frequência às reuniões; e
confio
que o Conselho Director será sempre o garante do exacto cumprimento destes compromissos Rotários
ÉTICA
PROFISSIONAL / PROVA QUÁDRUPLA
O Compamheirismo não é possível se eu
reconhecer no meu próximo um incompetente, um troca-tintas ou um indeciso.
A ética profissional é, nas relações entre os homens, a prática, por cada
um de nós, dos principais valores universais, reconhecidos e aceites no nosso
meio. Resumi-los-ia em 4: Verdade, Justiça, Cumprimento de Palavra e Contratos,
Simpatia e amizade.
Este Valor fundamental em Rotary não é um valor Rotário. É um valor humano
que é suposto em cada um de nós para sermos convidados ao Rotary. O
Companheirismo é um valor de Rotary; a ética profissional é suposta pelo
Rotary. E é, fundamentalmente, a preocupação por esta ética que
justifica a porta apertada para entrar no nosso clube.
A Ética profissional é um código interno de comportamente que nos leva à prática
de atitudes consideradas correctas nas relações humanas e de negócios.Mas não
só.
Não é frequente encontrarmos quem na vida
profissional seja exemplar, ao mesmo tempo que descuidado na
sua vida familiar.
Não é natural um dualismo assim de comportamentos. E daí que Rotary tenha uma
prática de ir mais longe - e recomende aos seus membros uma exemplaridade também
na vida familiar, também na vida religiosa, ou, até, na vida política.
Rotary não indica a ninguém quaisquer
valores familiares, religiosos ou políticos. Rotary não indica que a religião
Católica seja o seu valor, que um determinado Partido político corresponda aos
ideais rotários - ou que o divórcio seja um mal em si.
Rotary indica-nos, apenas, que cada um deve
ser cumpridor da sua Religião, dos seus ideais políticos, da sua situação
familiar. Rotary não define tais valores; pretende, sim, influenciar
comportamentos.
Têm, pois, lugar entre nós todos aqueles com situações definidas, assumidas
e cumpridas. Porque não somos uma Religião nem uma Política - mas porque
somos um grupo de homens que mutuamente se respeitam, se conheceram
e se tornaram amigos...
Este valor fundamental Rotário, a ÉTICA PROFISSIONAL, ressaltará de uma prática
Rotária das mais bem conseguidas nestes 90 anos de ROTARY:
a prova quádrupla.
A
PROVA QUÁDRUPLA é a marca que Rotary imprime nos hábitos de pensar de
cada elemento seu. E pretende Rotary que, nas nossas decisões, cada um de nós
se confronte com estes princípios:
- é justo o
que vou decidir?
-
é verdade o que vou dizer?
- a minha decisão vai poder estimular novas amizades ou consolidar as
existentes?
Penso,
na realidade, que a Prova Quádrupla se poderia reduzir a uma PROVA TRIPLA: com
efeito, os 2 últimos princípios reduzem-se, com vantagem, a um só.
A PROVA QUÁDRUPLA é o nosso código de ÉTICA PROFISSIONAL.
Todos
concordarâo, pois, comigo que a ÉTICA PROFISSIONAL alicerçada na PROVA QUÁDRUPLA
constitua o 2º Valor fundamental de Rotary.
SERVIR
/ AVENIDAS DE SERVIÇO
E partamos já na busca do outro Valor Fundamental de Rotary. Os 2 valores
encontrados são valores internos, são um enriquecimento pessoal. Com estes 2
valores teremos um grupo de homens dignos, eficientes, cumpridores, formando um
bloco pela amizade entre si.
Rotary aponta-nos um 3º valor fundamental: SERVIR.
Para quê um grupo de homens assim? SIRVAM...diz-nos Rotary.
E a quem? Sirvam o próprio Clube (Serviços
Internos); procure cada um a sua própria valorização profissional e a dos
seus Companheiros (Serviços profissionais); Sirvam a Comunidade local (Serviços
à Comunidade) e sirvam, mesmo, a Comunidade Internacional ( Serviços
Internacionais).
Não terá discussão que o 3º Valor fundamental para Rotary seja o serviço
que cada um deve prestar, enquadrado pelas Avenidas de Serviço.
Estamos, pois, Companheiros, inseridos numa Estrutura perfeita, em que é
suposta a amizade de Companheiros profissionalmente diferenciados, todos de
elevada craveira moral, competentes no exercício das suas profissões, que
deverão SERVIR o mundo que os rodeia.
Um grupo assim assuma-se como grupo de
amigos, que sirvam - sem se esquecer de si próprios.
Temos que nos assumir como homens activos no exercício da nossa profissão - e
não, apenas, como homens bonzinhos,
que se juntam semanalmente para discutir como poderemos ser úteis aos outros,
esquecendo-nos de nós próprios.
Não faz sentido, Companheiros, que tanto nos tenhamos alheado aqui das nossas
profissões, e, até, interesses - e não tenhamos a coragem e
companheirismo de mutuamente nos questionarmos sobre negócios. Ou somos,
de
verdade, Companheiros - e damos públicas provas de mútua confiança - ou não
o somos de verdade - e evitamo-nos
uns aos outros, para irmos negociar com estranhos.
Não é idéia minha de Rotary que ele seja uma clausura negocial, fechada a
todos os estranhos; mas penso que cada um de nós
deve sentir algum compromisso com os Companheiros que aqui nos sentamos e
convivemos em volta desta mesa.
Proponho, Companheiros: enquadrados pelo
exercício das nossas diversíssimas profissões, abramos o nosso Clube
a perscrutar o mundo dos negócios
na nossa região - e assumamos atitudes de desafio ao
seu desenvolvimento
Encarado por esta óptica, Rotary deverá ser também um motor de progresso da
sua região - e atrairá certamente
ao seu convívio os empresários mais dinâmicos do nosso meio
que ainda cá não estejam.
Deveremos entre eles divulgar nosso
posicionamento nos negócios, pela publicitação da PROVA QUÁDRUPLA - de maneira que todos reconheçam os
princípios éticos por que nos regemos - e saibam da confiança total que em nós
podem colocar.
Companheiros: nós parecemo-nos, às vezes,
com um grupo de homens bons, à conquista de uma perfeição etérea. Mas não
é isto Rotary, e nem deve ser.
Desculpem, Companheiros, por termo-vos enganado. Nós, Veteranos e, com maior
responsabilidade, ainda, os Fundadores, nós é que vos demos do Rotary uma
imagem errada: uma noção passiva, com princípios internos para consumo nosso,
esquecendo que Rotary é, deve ser, também um meio de conquistarmos e
enriquecermos a sociedade.
A PROVA QUÁDRUPLA surgiu em 1932 por
iniciativa de um Companheiro que se viu forçado a descalçar uma bota bem
apertada. Herbert J.Taylor foi encarregado, pelos credores da Club Aluminium Company, de evitar a falência e fecho da empresa. Tratava-se de uma
distribuidora de utensílios de cozinha e de outros artigos domésticos.
Era uma empresa em dificuldades, inserida num
mercado de concorrentes fortes. Seria muito difícil manter-se.
O nosso Companheiro Herbert Taylor teve uma
idéia: ser verdadeiro, ser justo, ser agradável para com clientes e
fornecedores.
Em tudo o que ele, ou os seus
colaboradores, afirmam terá que haver verdade; na definição de preços, ou na
prestação de serviços, terá que imperar a justiça - e tudo de tal maneira
executado que da relação comercial surja sempre a amizade.
A
empresa, com tais princípios, foi recuperada - e a prova quádrupla adoptada
como norma de conduta rotária.
Não é,pois, estranho, Companheiros,
que a linguagem Rotária seja uma linguagem do mundo dos negócios. Nós às
vezes confundimos Rotary com outra coisa...e até se chega aqui a pedir desculpa
por cada um divulgar os seus justos interesses empresariais...São distrações
de lugar.
Enunciei 3 princípios fundamentais de
Rotary: Companheirismo,
Ética profissional, Servir. Indiquei os meios da sua prática:
Frequência, Prova Quádrupla, Avenidas de Serviço. Fiz um desafio: tantos
homens juntos deverão fazer muito mais pelo nosso meio: descobrir oportunidades
de desenvolvimento.
Falta enunciar o mais importante: vivamos e actuemos de acordo com estes princípios;
vivamos
como Companheiros que gostem de se ver, que mutuamente em si confiem, e publicamente se defendam.
Só
pela nossa vivência se concluirá quanto vale a pena ser Rotário
Castelo Branco, 19 Janeiro 1993