Dois textos apresentados em eventos do clube pelo Companheiro Virgílio Catarino Dias, abordando aspectos do Rotary.

                                                                                             
 
PALESTRA COMEMORATIVA DO 25º ANIVERSÁRIO DO ROTARY CLUBE DE CASTELO BRANCO

                                                    
Rotary é uma organização de profissionais e homens de negócios que se juntam para servir.
A chave de entrada para Rotary é o negócio ou a profissão de cada um - mas sem servir não se pode ser um verdadeiro Rotário.
Esta é a ideia geral, a ideia que enforma Rotary Internacional.
Esta definição de Rotary é a mesma no Japão ou em Marrocos - e o serviço como objectivo é uma exigência universal em Rotary.
Cada clube rotário é um conjunto de profissionais que irá servir na área geográfica da sua implantação, e de acordo com as oportunidades locais.
O Clube é, deste modo, a concretização - no espaço e no tempo - da ideia universl de Rotary. Logo, cada Clube é sempre original  -  diferente, pois, de qualquer outro.
Esta é, caros Companheiros, uma realidade que me é particularmente agradável: que cada Clube, cumprindo as mesmos princípios universais de Rotary e prosseguindo os mesmos valores, possa ser ele próprio original, mantendo uma autonomia criativa.
Será a dedicação e serviço de cada Companheiro que tornarão cada Clube  interessado, interveniente e transformador da comunidade em que está implantado.
Cada Clube será, assim,  uma diferente interpretação de Rotary.
Imaginemos uma pauta de música - uma harmonia. Interpretemo-la com diversos instrumentos. Sendo a música a mesma, cada interpretação, devido à diversidade de instrumentos, apresentará um sonido diferente.
É este o Rotary diferente de clube para clube.
Aqui reside em grande parte a base da diferenciação Rotária: que sendo os princípios os mesmos, seja bastante diferente a sua execução. E é também nesta diferença que está um dos grandes encantos de Rotary - e uma ,justificação do enorme agrado, sempre que visitamos outros clubes: ver neles a maneira como interpretam e vivem os nossos mesmos princípios.
E porquê esta diferença?
          - porque diferem muito, de clube para clube, as características  dos seus elementos.
          - e porque diferem,igualmente, de Clube para Clube, as circunstâncias de lugar...  

Cada Clube representa um corte transversal da comunidade em que está implantado. No nosso Clube temos representadas as actividades de: advogados, médicos, agricultores, construtores civis, comerciantes, industriais, funcionários públicos, bancários, professores.
Somos, na realidade, um aglomerado das mais diversas actividades - e representamos, extensivamente, a nossa comunidade. Daí, a originalidade de cada Clube - e o encanto próprio de cada um deles - o que provoca sempre,  em cada Rotário, um gosto particular e  muito especial pelo seu Clube.
Diversos assim, e originais - todos reconhecemos que raramente os Clubes funcionaram bem quanto ao aproveitamento do seu caudal de possibilidades. Sempre os  nossos Clubes - como todo o Rotary - desperdiçaram aquilo que de mais importante e mais significativo eles têm: um imenso caudal de inteligência que não tem sido suficientemente posto ao serviço da sociedade.
Se tantos elementos, tão válidos no exercício da sua profissão, tomassem a sério, aqui no Rotary, a sua capacidade de intervenção - que transformações não poderiam ser feitas na sociedade pela convergência de tais capacidades?

Consideremos um caso de sucesso:
Porque é que Rotary vai erradicar do mundo a Poliomielite? Só porque um dia alguém, em Rotary, pensou que um grande projecto, a nível planetário, deveria assinalar o nosso 1º centenário.
E que foi decidido?
Angariar 220 000 000 de dólares, comprar vacinas, aplicá-las nas mais distintas paragens do planeta - e erradicar a polio. Foi decidido, está em curso e será cumprida esta tarefa. Os 220 000 000 revelaram-se insuficientes - e levamos hoje aplicados nesta operação mais de 400 000 000 - ou sejam 60 milhões de contos.
Rotary será isto? É evidente que sim. Isso é Rotary: pensar nos outros, melhorar o mundo, proteger o planeta terra, conquistar a paz...  
Numa palavra: Rotary é, mais uma vez e sempre, servir.
O nossos Clube tem orgulho - e participámos desde o primeiro momento - neste programa POLIO.
Mas entendemos que não deverá ser este um caminho que Rotary venha a adoptar como processo normal de intervenção na sociedade.
Os mega-projectos terão os seus defensores - mas penso que, importantes embora, eles não poderão ser regra de compromisso para os nossos clubes.
Tenho  maior simpatia pelos programas de índole local, em que todos mais possamos intervir, servindo - do que por aqueles em que mais eficientemente possamos colaborar, dando - porque Rotary é transformar o mundo, intervindo na comunidade, servindo, dando a cara, comprometendo-se - mais do que dispendendo  recursos.
Mais-Rotário não é o mais rico, generoso;  Mais-Rotário é quem mais serve, quem mais participa, quem mais colabora no serviço pelos outros.
Mas justifica-se plenamente este megaprojecto da Polio em que todos estamos ainda empenhados: o 1º centenário de Rotary deve ficar assinalado por um programa que elimine a poliomielite  do nosso planeta -  um flagelo que a muitos seres humanos tem privado da possibilidade de um mínimo de qualidade de vida.

Mas - repito - não deverá ser este um caminho definitivo em Rotary. Preferimos os pequenos projectos de intervenção na nossa comunidade, em que todos possamos intervir, servindo.
Defendemos um Companheirismo de campanha - mais do que um Companheirismo de recursos. Será, quanto a mim, essa uma das vias por onde poderá ser aproveitada a inteligência disponível em Rotary.

          - AUTONOMIA DOS CLUBES PARA A SUA ORGANIZAÇÃO INTERNA E DESCOBERTA DAS OPORTUNIDADES DE SERVIR;
         
- APROVEITAMENTO DA INTELIGÊNCIA DISPONÍVEL NOS CLUBES PARA INTERVIR;

SERÃO, POIS, 2 PILARES FUNDAMENTAIS PARA QUE SE CUMPRA O ROTARY QUE EU CONHEÇO E VIVO HÁ 25 ANOS, E QUE NESTE CLUBE TIVE O PRAZER DE COMPARTILHAR COM TANTOS COMPANHEIROS AQUI PRESENTES , E COM BASTANTES OUTROS, JÁ DESAPARECIDOS - E QUE  NESTE DIA FESTIVO VOU, APENAS, MENCIONAR:

          - JOSE LOPES DIAS - nosso 1º presidente
          - MANUEL SALAVISA - nosso 1º e infatigável secretário
          - JOÃO CARLOS DA MOTA MENDANHA
          - ANTÓNIO SANTOS AMARAL
          - TRISTÃO
          - CARLOS PIRES PRETO
          - JACINTO
          - RAFAEL NUNES

O nosso Clube muito lhes deve, e quero, com esta evocação, prestar-lhes  sentida homenagem. O seu exemplo e a sua dedicação ao Clube matêm viva a sua memória em nós, particularmente neste dia de aniversário.
Rotary - é a ideia universal de servir, de transformar o mundo, de conquistar e proteger a paz;
Rotary é o convívio interessado de Companheiros de todo o mundo, levando e administrando as miraculosas gotinhas da vacina que erradicará a poliomielite da superfície da Terra ante do ano 2005, 1º centenário da nossa fundação;
Rotary é a busca constante de melhores condições de vida para os necessitados da nossa região, ou das zonas mais carecidas, sejam elas a Turquia ou o Líbano, a Nigéria, o Perú ou o Bangla Desh...
Rotary é a humana preocupação - e acção - pelo bem dos outros...
Rotary é a ideia universal de melhorar o mundo e fazer por isso a começar e a partir da nossa comunidade...
Rotary é, também, esta agradável convivência, este encontro de amigos, esta celebração da festa dos outros, sentida como se fosse de cada um de vós...

Rotary foram estes 25 anos a fazer amigos e a servir a comunidade...
Estivemos em França, estivemos em Marrocos, estivemos na Espanha;
fomos aos Açores;
visitámos os Clubes de Braga, Abrantes,  Covilhã, Reguengos de Monsaraz;
 
-  e fundámos o Clube de Portalegre.
Refiro, aqui, apenas algumas das acções empreendidas pelo nosso Clube - não menciono as visitas particulares de Companheiros nossos a Clubes nacionais e estrangeiros - e que tanta satisfação nos proporcionaram.
Houve, pois,  uma actividade marcante para todos nós,  nestes 25 anos - e agradeço ao Rotary Clube da Covilhã - nosso Clube-Padrinho, o ter-se lembrado de nos comunicar a chama Rotária.
Recebida tal chama, já a transmitimos a Portalegre - e é com muito gosto que observamos a actividade deste Clube nosso afilhado que está a intervir activamente na sua comunidade.
Em resumo: estes 25 anos de Rotary cimentaram em nós a ideia de que Rotary se concretiza e vive em cada clube, autónomo,  e original nos processos de servir;
- de que cada Rotário só se realiza, servindo;
- de que vale a pena ser Rotário...

Referi as grandes ideias de Rotary;
Apresentei-vos o Rotary como o nosso Clube o tem interpretado e vivido.
Recordo - e menciono apenas, porque não seria justo alongar-me - que a base de toda esta actuação é a íntima convicção e prática, por cada um de nós,  da PROVA QUÁDRUPLA.
A validade das manifestações Rotárias só será consistente na medida em que elas correspondam a um estado de espírito - a uma ética - profundamente ínsita em cada Rotário.
A actuação de Rotary no mundo é consistente porque, mais do que resposta a estímulos externos, a nossa actuação é sempre consequência da  preocupação pela descoberta de oportunidades de servir. Esta é uma linguagem - e uma prática - característica de Rotary.
Se inventariássemos os termos rotários que melhor definem a  acção de Rotary no mundo, à frente de todas as expressões teríamos esta: a descoberta de oportunidades de servir. É esta atitude perante o mundo que identifica o Rotário.
E não teria eu certamente compreendido nada de Rotary nestes 25 anos, se não tivesse entendido o fundamento exigido por Rotary a cada um de nós: todo o serviço aos outros tem como condicionante o cumprimenmto da prova quádrupla.
Não somos uma religião - como sabeis - antes as respeitamos todas; não somos um partido político: mas vivemos harmoniosamente com todos. Mas temos certos princípios, e cultivamos certas fidelidades,  que nalguns aspectos nos assemelham.
O Rotário serve  por imperativo do nosso movimento;
O Rotário vive de acordo com um Código: a prova quádrupla;
O Rotário tem uma obsessão: a descoberta de oportunidades de serviço...
Constituimos, pois, um movimento bem organizado e bem estruturado.

Companheiros do Rotary Clube de Castelo Branco,
Meus Companheiros, vindos alguns de tão longe,
- fui talvez um pouco presumido nesta interpretação do Rotary na celebração dos nossos primeiros 25 anos...
...mas o gosto que continuo a sentir pelo nosso movimento - e a profunda dedicação ao meu clube - desculpam-me o atrevimento, e encontrarão certamente da vossa parte a benevolência da compreensão.  
Disse.

                                                                                                 

VALORES FUNDAMENTAIS EM ROTARY
(Comunicação ao Rotary Clube de C.Branco em 19.JAN.93 pelo Companheiro Virgílio Dias)

Toda a minha vida em Rotary tem sido uma contínua interrogação: porquê estar em Rotary?  Para quê ser Rotário?  Valerá a pena continuar ?
E já, por várias vezes, aqui mesmo, aduzi as minhas razões...
Hoje não discuto mais comigo mesmo as causas, nem as finalidades, da minha presença em Rotary - e sei que vale a pena continuar Rotário. Mas, nem por isso me resignei a um silêncio interior. Tento discutir motivos e inventariar valores. Fruto desta interna prescrutação,a minha comunicação de hoje: Valores fundamentais em Rotary.
Juntam-se em Chicago 3 homens: 1 Advogado, 1 alfaiate e 1 comerciante de carvão. Isto em 1905, numa grande cidade americana. E têm um objectivo determinado e abertamente confessado:fugir à solidão.
Constituiu-se um grupo de homens que se encontravam semanalmente, levavam amigos - e, pela persistência, o encontro transforma-se em fonte de novas amizades. Um cuidado importante a ter de início: que não se levassem ao grupo indivíduos cuja actividade profissional pudesse colidir com os interesses de quem já lá estava. Ontem, como hoje: a disputa do mercado, mesmo eticamente agressiva, não pode opor 2 Rotários - porque não podem coexistir no clube 2 profissionais que, activamente, se ocupem no mesmo segmento de negócio. Isso teria a possibilidade de agredir o primeiro e mais importante princípio Rotário: o Companhei -rismo. E este princípio não pode, de modo nenhum, correr riscos entre nós. Rotary nasceu cheio de preocupações consigo próprio - e para si próprio voltado. Ou seja: de início Rotary preocupou-se só com o bem-estar de seus membros e com o   bom relacionamento profissional de seus Associados. Só bastante mais tarde aparece a preocupação de Serviço  a Terceiros.
Esta é a realidade histórica de Rotary: um grupo de homens que se forma por convite e que se mantém pela amizade surgida entre Companheiros.
Nem é admissível o regular encontro entre Rotários sem que neles surja a amizade...Também a inversa é verdadeira: se não houver amizade entre os Companheiros, a frequência baixa e o Clube desfalece.
O papel fundamental do Conselho Director é preparar e tornar aliciantes as nossas reuniões; falar pouco, mas deixar ordenadamente falar, a fim de que a vinda dos Companheiros seja estimulada, a amizade surja e o Clube se torne coeso e forte.

Um clube onde não haja frequência habitual superior a 50% é um Clube inactivo. Se a frequência descer para a casa dos 30%, ficando o clube numa situação de 8 a 10 Companheiros activos -  é porque deixou de haver Rotary, ficando substituido por um grupo ocasional de amigos que apenas mudaram para o Clube a sede das suas reuniões chalasseiras dos antigos cafés. Rotary não é nada que sequer se pareça com isso. E o único processo de o evitar è a frequência às reuniões.
Como é que eu poderia criar amizade com quem não vejo? Defrauda-me todo o Companheiro que, injustificadamente, falta às nossas reuniões. Porque  a  primeira e mais premente obrigação Rotária é a FREQUÊNCIA. É um valor bem encontrado este: ele representa o meu direito à presença dos Companheiros no nosso Clube; ele impõe-me a obrigação de eu vir às reuniões para estar com eles...
Não oferece dúvidas, nem levanta qualquer diferença de opiniões:
o 1º valor fundamental em Rotary é o Companheirismo - e a  única maneira de o viver é a Frequência às reuniões.

A vida humana é feita de uma infindável sucessão de atitudes, motivadas por convicções, por princípios. Daí que atitudes claras, corajosas muitas vezes, pressuponham princípios bem definidos, bem conhecidos, que motivem decisões.
O 1º valor Rotário justificará o abandono de Rotary por aqueles que, vin-dos ao nosso Clube, não assumam, na prática, o cumprimento do Com -panheirismo/Frequência; - mas, na defesa do Clube, motivará também o Conselho Director ao cumprimento das suas obrigações, impondo a exclusão a quem, pelo seu absentismo, agrida o primeiro valor funda -mental.
Ninguém disse que Rotary é um clube de homens bonzinhos. E não o é.Todos sabemos que temos de ser um clube de homens eficientes.
Os princípios são para se cumprir. A tibieza, a indecisão, a procrastinação são termos  detestáveis do mundo das empresas que, vividos no Rotary, produziriam nele - e têm produzido - os mesmos efeitos nefastos que causam no mundo dos negócios.

Eu tenho direito a que só faça parte deste grupo quem nunca renunciar ao seu primeiro valor fundamental: o Companheirismo; aceito, como minha primeira obrigação Rotária, a frequência às reuniões;  e confio 
que o Conselho Director será sempre o garante do exacto cumprimento  destes compromissos Rotários

ÉTICA PROFISSIONAL / PROVA QUÁDRUPLA
O Compamheirismo não é possível se eu reconhecer no meu próximo um incompetente, um troca-tintas ou um indeciso.
A ética profissional é, nas relações entre os homens, a prática, por cada um de nós, dos principais valores universais, reconhecidos e aceites no nosso meio. Resumi-los-ia em 4: Verdade, Justiça, Cumprimento de   Palavra e Contratos, Simpatia e amizade.

Este Valor fundamental em Rotary não é um valor Rotário. É um valor humano que é suposto em cada um de    nós para sermos convidados ao Rotary. O Companheirismo é um valor de Rotary; a ética profissional é suposta pelo Rotary. E é, fundamentalmente, a preocupação por esta ética que justifica a porta apertada para entrar no nosso clube.

A Ética profissional é um código interno de comportamente que nos leva à prática de atitudes consideradas correctas nas relações humanas e de negócios.Mas não só.
Não é frequente encontrarmos quem na vida profissional seja exemplar, ao mesmo tempo que descuidado na     sua vida familiar. Não é natural um dualismo assim de comportamentos. E daí que Rotary tenha uma prática       de ir   mais longe - e recomende aos seus membros uma exemplaridade também na vida familiar, também na    vida religiosa,  ou, até, na vida política.
Rotary não indica a ninguém quaisquer valores familiares, religiosos ou políticos. Rotary não indica que a religião Católica seja o seu valor, que um determinado Partido político corresponda aos ideais rotários - ou que o divórcio seja um mal em si.
Rotary indica-nos, apenas, que cada um deve ser cumpridor da sua Religião, dos seus ideais políticos, da sua situação familiar. Rotary não define tais valores; pretende, sim, influenciar comportamentos.
Têm, pois, lugar entre nós todos aqueles com situações definidas, assumidas e cumpridas. Porque não somos uma Religião nem uma Política - mas porque somos  um grupo de homens que mutuamente se respeitam, se conheceram e se tornaram amigos...

Este valor fundamental Rotário, a ÉTICA PROFISSIONAL, ressaltará de uma prática Rotária das mais bem conseguidas nestes 90 anos de ROTARY:  a prova quádrupla.

A PROVA QUÁDRUPLA é a marca que Rotary imprime nos hábitos de pensar de cada elemento seu. E pretende Rotary que, nas nossas decisões, cada um de nós se confronte com estes princípios:

          
- é justo o que vou decidir?
           - é verdade o que vou dizer?
           - a minha decisão vai poder estimular novas amizades ou consolidar as existentes?  

Penso, na realidade, que a Prova Quádrupla se poderia reduzir a uma PROVA TRIPLA: com efeito, os 2 últimos princípios reduzem-se, com vantagem, a um só.
A PROVA QUÁDRUPLA é o nosso código de ÉTICA PROFISSIONAL.
Todos concordarâo, pois, comigo que a ÉTICA PROFISSIONAL alicerçada na PROVA QUÁDRUPLA constitua o 2º Valor fundamental de Rotary. 

SERVIR / AVENIDAS DE SERVIÇO
E partamos já na busca do outro Valor Fundamental de Rotary. Os 2 valores encontrados são valores internos,  são um enriquecimento pessoal. Com estes 2 valores teremos um grupo de homens dignos, eficientes, cumpridores, formando um bloco pela amizade entre si.
Rotary aponta-nos um 3º valor fundamental: SERVIR. Para quê um grupo de homens assim? SIRVAM...diz-nos Rotary.
E a quem? Sirvam o próprio Clube (Serviços Internos); procure cada um a sua própria valorização profissional e a dos seus Companheiros (Serviços profissionais); Sirvam a Comunidade local (Serviços à Comunidade) e sirvam, mesmo, a Comunidade Internacional ( Serviços Internacionais).
Não terá discussão que o 3º Valor fundamental para Rotary seja o serviço que cada um deve prestar, enquadrado pelas Avenidas de Serviço.

Estamos, pois, Companheiros, inseridos numa Estrutura perfeita, em que é suposta a amizade de Companheiros profissionalmente diferenciados, todos de elevada craveira moral, competentes no exercício das suas profissões, que deverão SERVIR o mundo que os rodeia.
Um grupo assim assuma-se como grupo de amigos, que sirvam - sem se esquecer de si próprios.
Temos que nos assumir como homens activos no exercício da nossa profissão - e não, apenas, como homens bonzinhos, que se juntam semanalmente para discutir como poderemos ser úteis aos outros, esquecendo-nos    de nós próprios.
Não faz sentido, Companheiros, que tanto nos tenhamos alheado aqui das nossas profissões, e, até, interesses - e não tenhamos a coragem e companheirismo de mutuamente nos questionarmos sobre negócios. Ou somos,    de verdade, Companheiros - e damos públicas provas de mútua confiança - ou não o somos de verdade - e  evitamo-nos uns aos outros, para irmos negociar com estranhos.
Não é idéia minha de Rotary que ele seja uma clausura negocial, fechada a todos os estranhos; mas penso que cada um de nós  deve sentir algum compromisso com os Companheiros que aqui nos sentamos e convivemos   em volta desta mesa.
Proponho, Companheiros: enquadrados pelo exercício das nossas diversíssimas profissões, abramos o nosso Clube  a perscrutar  o mundo dos negócios na nossa região - e assumamos atitudes de desafio ao  seu desenvolvimento
Encarado por esta óptica, Rotary deverá ser também um motor de progresso da sua região -  e atrairá certamente  ao seu convívio os empresários mais dinâmicos do nosso meio  que ainda cá não estejam.
Deveremos entre eles divulgar nosso posicionamento nos negócios, pela publicitação  da PROVA QUÁDRUPLA - de maneira que todos reconheçam os princípios éticos por que nos regemos - e saibam da confiança total que em nós podem colocar.
Companheiros: nós parecemo-nos, às vezes, com um grupo de homens bons, à conquista de uma perfeição etérea. Mas não é isto Rotary, e nem deve ser.
Desculpem, Companheiros, por termo-vos enganado. Nós, Veteranos e, com maior responsabilidade, ainda, os Fundadores, nós é que vos demos do Rotary uma imagem errada: uma noção passiva, com princípios internos para consumo nosso, esquecendo que Rotary é, deve ser, também um meio de conquistarmos e enriquecermos   a sociedade.
A PROVA QUÁDRUPLA surgiu em 1932 por iniciativa de um Companheiro que se viu forçado a descalçar uma bota bem apertada. Herbert J.Taylor foi encarregado, pelos credores da Club Aluminium Company, de evitar a falência e fecho da empresa. Tratava-se de uma distribuidora de utensílios de cozinha e de outros artigos domésticos.
Era uma empresa em dificuldades, inserida num mercado de concorrentes fortes. Seria muito difícil manter-se.
O nosso Companheiro Herbert Taylor teve uma idéia: ser verdadeiro, ser justo, ser agradável para com clientes e fornecedores.
Em tudo o que  ele, ou os seus colaboradores, afirmam terá que haver verdade; na definição de preços, ou na prestação de serviços, terá que imperar a justiça - e tudo de tal maneira executado que da relação comercial surja sempre a amizade.
A empresa, com tais princípios, foi recuperada - e a prova quádrupla adoptada como norma de conduta rotária.
Não é,pois, estranho, Companheiros, que a linguagem Rotária seja uma linguagem do mundo dos negócios. Nós às vezes confundimos Rotary com outra coisa...e até se chega aqui a pedir desculpa por cada um divulgar os  seus justos interesses empresariais...São distrações de lugar.
Enunciei 3 princípios fundamentais de Rotary: Companheirismo, Ética profissional, Servir. Indiquei os meios   da sua prática: Frequência, Prova Quádrupla, Avenidas de Serviço. Fiz um desafio: tantos homens juntos deverão fazer muito mais pelo nosso meio: descobrir oportunidades de desenvolvimento.
Falta enunciar o mais importante: vivamos e actuemos de acordo com estes princípios;
vivamos como Companheiros que gostem de se ver, que mutuamente em si confiem, e publicamente se defendam.

Só pela nossa vivência se concluirá quanto vale a pena ser Rotário

Castelo Branco, 19 Janeiro 1993